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AmoR EternO

Must have stabbed her fifty fucking times,
I can’t believe it,
Ripped her heart out right before her eyes,
Eyes over easy, eat it, eat it, eat it!”

 Avenged Sevenfold.

 

           Havia três semanas que eu notava seus comportamentos estranhos em relação a mim: não saía de casa, às vezes me evitava, quando nos falávamos estava off. Amanda sempre foi esquisita, mas nunca levei muito a sério isso, porque eu também não sou muito lá seguidor da dita normalidade. Eu suspeito que ela vá terminar; e por coincidência, Judas, meu melhor amigo, sempre andava junto com a gente e ontem me avisou sobre isso, logo após o jogo, num churrasco que estava tendo na casa do Bruno.

            Fiel amigo! Obrigado por alertar e me preparar para o soco na cara. Posso pensar melhor a respeito agora. Somente a idéia de perdê-la trás desespero na minha alma fragilizada pelo amor. Ninguém é capaz de amá-la assim como eu. Eu! Que sempre tive o coração gelado e a fama de ser o Homem de Ferro! Estou aqui agora, tendo sentimentos obscuros de perda em relação a alguém que amo. Bah! A paixão degenera o caráter do homem e o torna fraco.

            Esse meu lado romântico é incurável, e uma vez eu tinha dito para ela assim:

            – Amanda, se isso tudo acabar entre a gente, sou capaz de me matar, fazer o inferno!

            A malandra deu risada para variar, assim como qualquer uma daria, e pôs aqueles olhos cheios da malicia e feitiço em cima de mim, tirando toda a minha capacidade de reação e disse:

            – Você é meu herói romântico!

            Trancado em meu quarto escuro, deitado na cama em frente à janela, olho a lua branca ali fora iluminando um pouco aqui dentro. Amanda não ligou, e nem vai ligar acho. De qualquer jeito, meu MSN está on, é só ela digitar algo que vai aparecer. Enquanto isso eu me afogo nas lembranças doce do passado vivido junto dela.

            Ah! Eu era bem prostituto antes de conhecer a causadora de todo meu sofrimento atual. Passava com as garotas uma noite e nada mais, depois era pé na bunda, e se quisessem chorar, que fossem para o colo do Diabo, como eu fui muitas vezes depois de várias desilusões amorosas. Mas aquela noite na praça depois de tomar Smirnoff com Martini e virar num só trago duas doses, fui dar um role porque parecia que tudo iria miar, e eu não estava a fim de ir para casa chupando o dedo, quando a vi no meio das suas amigas. Todas estavam meio down, mas segui o roteiro e mandei um bom abridor no grupo. Cumprimentei-as, deixando meu alvo por último. Depois, falei com todo mundo do grupo, um papo alegre, água com açúcar e fui incluindo a garota aos poucos na conversa, até que ignorei completamente o grupo e minha atenção foi dirigida a ela somente. Conversa vai e conversa vem logo Amanda dá sinais de interesse e eu começo a fazer doce, bancando o difícil. Então, mais um pouco de conversa jogada fora, é hora de ir para casa. Devia de ser meia noite, e eu me ofereci para levar aquele bando até a última esquina da rua. Subimos todos, mas eu parei onde ficava um posto de combustível. Ela continuou andando até que virou para trás e disse “vem!”, fazendo o mesmo sinal com a mão. Não fui, mas a safada veio até mim, e prendi-a nos meus braços. Virou o rosto – essa vai dar trabalho, pensei. Em seguida Amanda me levou até uma mureta pequena que cortava essa rua do quarteirão inteiro, onde havia árvores. Subiu ali, enquanto eu fiquei embaixo. Tentei beijá-la, mas ela dizia “deixa rolar…”. Continuei firme no meu objetivo, até que depois de muito papo e tentativas, o beijo saiu. Ficamos um cinco minutos, e fui embora.

            Gastei muita lábia para ficar com ela e foi um beijo como qualquer outro, mas a maneira como ele saiu foi diferente. Eu estava acostumado e jogar dez minutos de conversa fora e já conseguia o que queria, e ela me custou muito trabalho, devia valer alguma coisa. Fiquei pensando nisso enquanto voltava para casa.

            Os próximos fins de semana eu tornei a sair com ela, sempre no mesmo esquema de ela fazer doce e eu quebrar a sua defesa e eu depois disso prometendo a mim mesmo que seria a última vez. Todavia, uma vez numa festa ela sugeriu que a gente tivesse algo mais sério. Não sei se foi a alegria dada pela caipirinha de limão ou se eu gostava mesmo dela, aceitei numa boa. Só sei de uma coisa: descobri que eu gostava dela mesmo de verdade foi depois de um beijo trocado em baixo duma chuva forte, com as amigas dela apressando-a para ir embora. Depois disso, tinha certeza que eu gostava dela – triste conclusão a minha.

            Os quatro meses seguidos eu lutei contra essa paixão, dia após dia, porque isso não era nada bom; mas o jeito dela, a voz, o corpo, o cheiro, como ela me tratava, a experiência em relações duradouras e os malditos olhos de cobra esperta fizeram com que eu me aprisionasse em meu próprio desejo. Ela dizia que eu era diferente de tudo que já tinha visto, o Superman dela e mais um monte de blá blá blá. Suas amigas sempre diziam: “quero um Jean para mim!”, o que me deixava cheio de moral.

            Hoje, aqui estirado sozinho, me corrôo em dores e angustias amorosas. Onde ela está? Numa festa com as amigas. Como eu sei disso? Não importa, mas o mais foda é que pegou carona com Judas. Isso me deixa puto da vida. Matar-me se ela realmente romper? Não sei, quando um homem perde a razão e age em função dos sentimentos é capaz de tudo, fica na beira da loucura. E outra, sempre disse que o suicídio é coisa para os fracos, não para mim.

            Levanto e vou até o computador ver se tem algo de interessante. Logo sobe uma janela de conversa. Era Bruno, querendo me mostrar parte da conversa que teve com Amanda esses dias. Digo para que me mostre.

 

Amandinha diz: eh, axu q vo memo terminah c/ ele…

 

Mr. Phodaum diz: o loco Amanda, mais pq?

 

Amandinha diz: ah, sei lah, não sei.

 

Mr Phodaum diz: ce sabe q ele te ama pa carai, n devia faze issu.

 

Amandinha diz: eh, todo mundo tah fldo isso, + n dah +.

 

Mr. Phodaum diz: ce é loca, vai se arrepende…

 

Amandinha diz: sei lah cara, to pensando nisso ainda… n eh nada certu.

 

            Era muito longa essa conversa, não era necessário ler mais. O essencial já estava dito. Nada mais a se fazer. Olho no relógio do computador e já são onze horas. Estou desanimado, vou dormir para relaxar. Aviso Bruno que estou saindo e desligo o computador.

 

            De manhã meu celular toca, avisando que tem uma mensagem. Era de Amanda. Queria falar comigo, e eu respondo que oito horas da noite vou até a casa dela. É hoje que meu destino se resolve, e o que vou fazer? Olhei o tempo pela janela, estava nublado escuro.

            Fico o resto do dia estirado no chão, como se a vida ainda estivesse em mim, mas minha alma vagando por aí, assim como uma vez que eu tinha cheirado cola de sapateiro e estava mais louco que o Batman. Meus pais vinham falar comigo, mas logo iam embora, tristes por me verem nesse estado de depressão. Minha mente é somente dela, eu choro com medo de perdê-la. Não sei o que fazer caso isso aconteça. A conversa de Bruno sempre vem na memória… A boa navalha está no banheiro, é só pegar e passar num golpe seco sem dó na garganta, e sentir o ar passando pelo corte e o sangue escorrendo quente e rápido pelo pescoço, até minha razão apagar e ficar escura. Vou até lá e a pego, sinto o fio de corte na pele e não encontro nisso a solução.   

 

A noite chega, troco de roupa e vou até a casa dela. Atravesso a cidade, porque ela mora em um canto e eu no outro. Está frio, assim como meu coração, escuro como meus pensamentos e os relâmpagos representam bem as idéias que passa na minha cabeça, na minha mente nebulosa, tomada pela raiva e o desejo de extravasar toda essa fúria contida aqui dentro.

            Chego à casa de Amanda, e a pilantra está sentada na calçada, onde rolamos varias noites se amando até altas horas. Em volta daquele rosto lindo, cobria um ar de inocência e esperteza junto.

            – E aí?

            Ela ficou quieta me olhando, como me provocando a falar algo que a convença de não tomar tal atitude. Não disse nada por pirraça. Se ela queria assim, que fosse assim mesmo.           

Mas tento algo, meio gaguejando:

            – Ah!… Não… Fala.

            – Não, fala você.

            – Não porra, foi você quem me chamou!

            Amanda ficou me olhando mais alguns minutos, como que me dando mais uma chance para impedi-la. Não o fiz, até que ela expressou um rosto de lamentação e um gesto com as mãos. Creio que fez algum gesto, não sei, não estava prestando atenção.

            – Motivo?

            – Não sei.

            – Não sabe?

            – Não.

            – Louca… Você tem vento na cabeça.

            Ela dá um sorriso triste.

            Minha vontade é de beijá-la e enchê-la de porrada e implorar para que não fizesse isso, mas meu orgulho foi ferido, não tinha volta. Olhamo-nos por mais uns dois minutos, que pareceu vinte anos para mim, até que ela vem para dar um beijo – parecia de despedida. Ela me beija, e quando vai sair pego o braço dela, puxo para perto de mim, e aplico um matá-leão certeiro, até ela apagar. Não a matei, só a deixei inconsciente. Coloco-a nas costas, e vou levando-a para casa. As ruas estão desertas, e eu posso andar sossegado. Foi custoso fazer isso, mas fiz. Venta e troveja mais forte ainda. O ódio toma conta da minha pessoa, despejando cada gota de dor em meu sangue, querendo mais sangue ainda. Chego até a espumar. Nem eu sabia o que iria fazer com ela. Não vejo nada a minha frente.

Em casa, o silêncio sepulcral reina. Deveria esperar ela acordar? Creio que não, não quero que ela sofra dor física. Pego uma faca na dispensa e uma pá de pedreiro na casinha de jardinagem. Vou até o quintal de casa perto dum mato aonde ninguém quase ia – era enorme esse quintal, parecia até um sítio isso. Tiro um pouco de mato de lá e começo a cavar. Chove forte. Cavei cerca de três metros, já era lama pura tudo aquilo. O relógio do meu celular mostra duas e meia da manhã.  Paro, olho para o rosto angelical dela, e não me bate arrependimento do que ia fazer: saquei a faca e cortei o pescoço dela. O sangue sai como um esguicho, espirrando em mim, que estava por cima dela. Esfreguei o sangue que saia em mim; chorei com meu rosto colado no dela, beijei-a por final. Meu coração se sentia aliviado por fazer isso. Enterro o corpo, vendo a terra escondendo a fisionomia dela para sempre. Isso já era quatro da manhã. Não parou de chover ainda. Fui para casa dormir que eu estava cansado.

Na cama eu reflito. A verdade é só uma: um amor verdadeiro é para sempre. Ela é minha, disse que me amava, não fiz errado em matá-la. Não é um amor por toda a vida? Se eu não fico com ela, ninguém mais fica. Vou amá-la assim todo dia, onde eu saberei que ela está segura, longe das outras pessoas. Irei jogar flores vermelhas em seu leito de morte até que alguém descubra – o que não vai demorar muito. Até lá, é possível eu morrer de overdose por alguma droga, pois somente nos momentos de delírio irei sentir sua respiração na minha de novo.

Um amor eterno só se é encontrado quando se atravessa a escura morte fria e solitária, vendo no fim do túnel a luz que trás a felicidade eterna.

 


 Tradução: “Devia tê-la apunhalado umas cinqüenta vezes,/ Não acredito,/Devia ter arrancado seu coração bem em frente de seus olhos,/ Os olhos enganam fácil, coma, coma, coma!”. Música, A Little Piece Of Heaven, Avenged Sevenfold

Must have stabbed her fifty fucking times,
I can’t believe it,
Ripped her heart out right before her eyes,
Eyes over easy, eat it, eat it, eat it!”

 

Avenged Sevenfold.

 

           

 

Havia três semanas que eu notava seus comportamentos estranhos em relação a mim: não saía de casa, às vezes me evitava, quando nos falávamos estava off. Amanda sempre foi esquisita, mas nunca levei muito a sério isso, porque eu também não sou muito lá seguidor da dita normalidade. Eu suspeito que ela vá terminar; e por coincidência, Judas, meu melhor amigo, sempre andava junto com a gente e ontem me avisou sobre isso, logo após o jogo, num churrasco que estava tendo na casa do Bruno.

            Fiel amigo! Obrigado por alertar e me preparar para o soco na cara. Posso pensar melhor a respeito agora. Somente a idéia de perdê-la trás desespero na minha alma fragilizada pelo amor. Ninguém é capaz de amá-la assim como eu. Eu! Que sempre tive o coração gelado e a fama de ser o Homem de Ferro! Estou aqui agora, tendo sentimentos obscuros de perda em relação a alguém que amo. Bah! A paixão degenera o caráter do homem e o torna fraco.

            Esse meu lado romântico é incurável, e uma vez eu tinha dito para ela assim:

            – Amanda, se isso tudo acabar entre a gente, sou capaz de me matar, fazer o inferno!

            A malandra deu risada para variar, assim como qualquer uma daria, e pôs aqueles olhos cheios da malicia e feitiço em cima de mim, tirando toda a minha capacidade de reação e disse:

            – Você é meu herói romântico!

            Trancado em meu quarto escuro, deitado na cama em frente à janela, olho a lua branca ali fora iluminando um pouco aqui dentro. Amanda não ligou, e nem vai ligar acho. De qualquer jeito, meu MSN está on, é só ela digitar algo que vai aparecer. Enquanto isso eu me afogo nas lembranças doce do passado vivido junto dela.

            Ah! Eu era bem prostituto antes de conhecer a causadora de todo meu sofrimento atual. Passava com as garotas uma noite e nada mais, depois era pé na bunda, e se quisessem chorar, que fossem para o colo do Diabo, como eu fui muitas vezes depois de várias desilusões amorosas. Mas aquela noite na praça depois de tomar Smirnoff com Martini e virar num só trago duas doses, fui dar um role porque parecia que tudo iria miar, e eu não estava a fim de ir para casa chupando o dedo, quando a vi no meio das suas amigas. Todas estavam meio down, mas segui o roteiro e mandei um bom abridor no grupo. Cumprimentei-as, deixando meu alvo por último. Depois, falei com todo mundo do grupo, um papo alegre, água com açúcar e fui incluindo a garota aos poucos na conversa, até que ignorei completamente o grupo e minha atenção foi dirigida a ela somente. Conversa vai e conversa vem logo Amanda dá sinais de interesse e eu começo a fazer doce, bancando o difícil. Então, mais um pouco de conversa jogada fora, é hora de ir para casa. Devia de ser meia noite, e eu me ofereci para levar aquele bando até a última esquina da rua. Subimos todos, mas eu parei onde ficava um posto de combustível. Ela continuou andando até que virou para trás e disse “vem!”, fazendo o mesmo sinal com a mão. Não fui, mas a safada veio até mim, e prendi-a nos meus braços. Virou o rosto – essa vai dar trabalho, pensei. Em seguida Amanda me levou até uma mureta pequena que cortava essa rua do quarteirão inteiro, onde havia árvores. Subiu ali, enquanto eu fiquei embaixo. Tentei beijá-la, mas ela dizia “deixa rolar…”. Continuei firme no meu objetivo, até que depois de muito papo e tentativas, o beijo saiu. Ficamos um cinco minutos, e fui embora.

            Gastei muita lábia para ficar com ela e foi um beijo como qualquer outro, mas a maneira como ele saiu foi diferente. Eu estava acostumado e jogar dez minutos de conversa fora e já conseguia o que queria, e ela me custou muito trabalho, devia valer alguma coisa. Fiquei pensando nisso enquanto voltava para casa.

            Os próximos fins de semana eu tornei a sair com ela, sempre no mesmo esquema de ela fazer doce e eu quebrar a sua defesa e eu depois disso prometendo a mim mesmo que seria a última vez. Todavia, uma vez numa festa ela sugeriu que a gente tivesse algo mais sério. Não sei se foi a alegria dada pela caipirinha de limão ou se eu gostava mesmo dela, aceitei numa boa. Só sei de uma coisa: descobri que eu gostava dela mesmo de verdade foi depois de um beijo trocado em baixo duma chuva forte, com as amigas dela apressando-a para ir embora. Depois disso, tinha certeza que eu gostava dela – triste conclusão a minha.

            Os quatro meses seguidos eu lutei contra essa paixão, dia após dia, porque isso não era nada bom; mas o jeito dela, a voz, o corpo, o cheiro, como ela me tratava, a experiência em relações duradouras e os malditos olhos de cobra esperta fizeram com que eu me aprisionasse em meu próprio desejo. Ela dizia que eu era diferente de tudo que já tinha visto, o Superman dela e mais um monte de blá blá blá. Suas amigas sempre diziam: “quero um Jean para mim!”, o que me deixava cheio de moral.

            Hoje, aqui estirado sozinho, me corrôo em dores e angustias amorosas. Onde ela está? Numa festa com as amigas. Como eu sei disso? Não importa, mas o mais foda é que pegou carona com Judas. Isso me deixa puto da vida. Matar-me se ela realmente romper? Não sei, quando um homem perde a razão e age em função dos sentimentos é capaz de tudo, fica na beira da loucura. E outra, sempre disse que o suicídio é coisa para os fracos, não para mim.

            Levanto e vou até o computador ver se tem algo de interessante. Logo sobe uma janela de conversa. Era Bruno, querendo me mostrar parte da conversa que teve com Amanda esses dias. Digo para que me mostre.

 

Amandinha diz: eh, axu q vo memo terminah c/ ele…

 

Mr. Phodaum diz: o loco Amanda, mais pq?

 

Amandinha diz: ah, sei lah, não sei.

 

Mr Phodaum diz: ce sabe q ele te ama pa carai, n devia faze issu.

 

Amandinha diz: eh, todo mundo tah fldo isso, + n dah +.

 

Mr. Phodaum diz: ce é loca, vai se arrepende…

 

Amandinha diz: sei lah cara, to pensando nisso ainda… n eh nada certu.

 

            Era muito longa essa conversa, não era necessário ler mais. O essencial já estava dito. Nada mais a se fazer. Olho no relógio do computador e já são onze horas. Estou desanimado, vou dormir para relaxar. Aviso Bruno que estou saindo e desligo o computador.

 

            De manhã meu celular toca, avisando que tem uma mensagem. Era de Amanda. Queria falar comigo, e eu respondo que oito horas da noite vou até a casa dela. É hoje que meu destino se resolve, e o que vou fazer? Olhei o tempo pela janela, estava nublado escuro.

            Fico o resto do dia estirado no chão, como se a vida ainda estivesse em mim, mas minha alma vagando por aí, assim como uma vez que eu tinha cheirado cola de sapateiro e estava mais louco que o Batman. Meus pais vinham falar comigo, mas logo iam embora, tristes por me verem nesse estado de depressão. Minha mente é somente dela, eu choro com medo de perdê-la. Não sei o que fazer caso isso aconteça. A conversa de Bruno sempre vem na memória… A boa navalha está no banheiro, é só pegar e passar num golpe seco sem dó na garganta, e sentir o ar passando pelo corte e o sangue escorrendo quente e rápido pelo pescoço, até minha razão apagar e ficar escura. Vou até lá e a pego, sinto o fio de corte na pele e não encontro nisso a solução.   

 

A noite chega, troco de roupa e vou até a casa dela. Atravesso a cidade, porque ela mora em um canto e eu no outro. Está frio, assim como meu coração, escuro como meus pensamentos e os relâmpagos representam bem as idéias que passa na minha cabeça, na minha mente nebulosa, tomada pela raiva e o desejo de extravasar toda essa fúria contida aqui dentro.

            Chego à casa de Amanda, e a pilantra está sentada na calçada, onde rolamos varias noites se amando até altas horas. Em volta daquele rosto lindo, cobria um ar de inocência e esperteza junto.

            – E aí?

            Ela ficou quieta me olhando, como me provocando a falar algo que a convença de não tomar tal atitude. Não disse nada por pirraça. Se ela queria assim, que fosse assim mesmo.           

Mas tento algo, meio gaguejando:

            – Ah!… Não… Fala.

            – Não, fala você.

            – Não porra, foi você quem me chamou!

            Amanda ficou me olhando mais alguns minutos, como que me dando mais uma chance para impedi-la. Não o fiz, até que ela expressou um rosto de lamentação e um gesto com as mãos. Creio que fez algum gesto, não sei, não estava prestando atenção.

            – Motivo?

            – Não sei.

            – Não sabe?

            – Não.

            – Louca… Você tem vento na cabeça.

            Ela dá um sorriso triste.

            Minha vontade é de beijá-la e enchê-la de porrada e implorar para que não fizesse isso, mas meu orgulho foi ferido, não tinha volta. Olhamo-nos por mais uns dois minutos, que pareceu vinte anos para mim, até que ela vem para dar um beijo – parecia de despedida. Ela me beija, e quando vai sair pego o braço dela, puxo para perto de mim, e aplico um matá-leão certeiro, até ela apagar. Não a matei, só a deixei inconsciente. Coloco-a nas costas, e vou levando-a para casa. As ruas estão desertas, e eu posso andar sossegado. Foi custoso fazer isso, mas fiz. Venta e troveja mais forte ainda. O ódio toma conta da minha pessoa, despejando cada gota de dor em meu sangue, querendo mais sangue ainda. Chego até a espumar. Nem eu sabia o que iria fazer com ela. Não vejo nada a minha frente.

Em casa, o silêncio sepulcral reina. Deveria esperar ela acordar? Creio que não, não quero que ela sofra dor física. Pego uma faca na dispensa e uma pá de pedreiro na casinha de jardinagem. Vou até o quintal de casa perto dum mato aonde ninguém quase ia – era enorme esse quintal, parecia até um sítio isso. Tiro um pouco de mato de lá e começo a cavar. Chove forte. Cavei cerca de três metros, já era lama pura tudo aquilo. O relógio do meu celular mostra duas e meia da manhã.  Paro, olho para o rosto angelical dela, e não me bate arrependimento do que ia fazer: saquei a faca e cortei o pescoço dela. O sangue sai como um esguicho, espirrando em mim, que estava por cima dela. Esfreguei o sangue que saia em mim; chorei com meu rosto colado no dela, beijei-a por final. Meu coração se sentia aliviado por fazer isso. Enterro o corpo, vendo a terra escondendo a fisionomia dela para sempre. Isso já era quatro da manhã. Não parou de chover ainda. Fui para casa dormir que eu estava cansado.

Na cama eu reflito. A verdade é só uma: um amor verdadeiro é para sempre. Ela é minha, disse que me amava, não fiz errado em matá-la. Não é um amor por toda a vida? Se eu não fico com ela, ninguém mais fica. Vou amá-la assim todo dia, onde eu saberei que ela está segura, longe das outras pessoas. Irei jogar flores vermelhas em seu leito de morte até que alguém descubra – o que não vai demorar muito. Até lá, é possível eu morrer de overdose por alguma droga, pois somente nos momentos de delírio irei sentir sua respiração na minha de novo.

Um amor eterno só se é encontrado quando se atravessa a escura morte fria e solitária, vendo no fim do túnel a luz que trás a felicidade eterna.



 Tradução: “Devia tê-la apunhalado umas cinqüenta vezes,/ Não acredito,/Devia ter arrancado seu coração bem em frente de seus olhos,/ Os olhos enganam fácil, coma, coma, coma!”. Música, A Little Piece Of Heaven, Avenged Sevenfold.

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