Eu tive dois filhos quando tinha 10 anos


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Oi pessoal. Meu nome é Alice. Há pouco tempo fiz uma escolha que vai impactar muito a minha vida nos próximos anos. E eu não sei se fiz a coisa certa, nem se serei feliz.

Eu sou a irmã mais velha de uma família grande – aliás, do que sobrou dessa família. O papai nos deixou quando eu tinha 4 anos de idade. Desde então, minha mãe tentou engatar outros relacionamentos, mas tudo o que restou dos ex dela foram meus irmãos mais novos, o Jerome e o Mark. Eles têm 8 e 6 anos. Se você acha que, por minha mãe ter três filhos, ela provavelmente fica sempre conosco, está enganado. Desde que me entendo por gente, a mamãe é sempre uma figura ausente nas nossas vidas. Nem sei o que ela fazia. Nós morávamos com a nossa avó, e ela dizia que a mamãe estava trabalhando o tempo todo, sempre tentando ganhar algum dinheiro. Não sei se isso é verdade. E acho que não me sentiria melhor se soubesse.

Minha mãe só morava com a gente quando engravidava, pois ninguém mais poderia cuidar dela. E um mês depois de dar à luz, ela voltava a trabalhar. Eu provavelmente senti saudade dela na época, mas minha cabeça estava cheia de preocupações em relação aos meus irmãos mais novos. Hoje tenho 18 anos e já sei cuidar de crianças. Mas quando o Jerome nasceu, eu só tinha 10 anos e ainda era uma criança! E minha avó e eu é que tivemos que tomar conta dele. Foi difícil, pois não conseguimos substituir a mãe dele, mas fizemos o melhor possível. E dois anos depois o Mark nasceu, e mais um peso caiu sobre os nossos ombros. Naqueles dias, a vida parecia insuportável pra mim. Eu chegava da escola e, em vez de fazer o dever-de-casa, cuidava das crianças. E em vez de dormir tranquila para acordar cedo no dia seguinte, passava metade da noite embalando o Mark, pois ele não dormia bem.

Mas não posso dizer que odiava tudo isso. Eles eram meus irmãos, e eu os amava muito. Então, superei todas as dificuldades, e tentei ajudar os meninos a terem uma vida normal. Além do mais, a vovó nos ajudava muito. Eu sou muito grata a ela por não ter nos abandonado como minha mãe fez. Então, vivíamos juntos, e a cada ano que passava nossa rotina foi ficando mais fácil. Os meninos já estão na escola, e não precisam de supervisão o tempo todo como quando eram bebês, e eu tenho mais tempo livre. E aqui está ele – o Alex. Ele era meu namorado. Já fazia quase um ano que estávamos namorando, e era um relacionamento sério. Nós até fazíamos planos juntos, sonhávamos com o que aconteceria no futuro, e esperávamos ansiosos pelos nossos dezoito anos para termos liberdade e morarmos juntos. Meus irmãos já estavam bem grandinhos, e poderiam viver sem mim – além do mais, minha vó ficaria com eles. Mas como sempre acontece, tudo o que a gente planeja para a vida geralmente se desfaz da forma mais horrível.

Sabe, eu já tenho idade para entender tudo. E claro que sei que ninguém vive para sempre, mas eu não esperava que aquilo fosse acontecer tão cedo assim. Sim, a vovó morreu. Foi um choque para os meus irmãos mais novos. Imagine como é perder alguém que deu amor e cuidou de você a vida toda. Os meninos choravam o tempo todo, e eu não pensava em mais nada a não ser na vovó. Foi uma tragédia enorme pra mim também, mas eu tinha que ser forte para apoiar o Jerome e o Mark. O tempo todo eu estava tentando acalmá-los e garantir que tudo ficaria bem. Mas, ao mesmo tempo, eu queria me esconder do mundo todo, e chorar. Meu namorado se solidarizou comigo, e tentou ajudar, mas nada conseguia me tirar do luto. Eu não conseguia parar de pensar em coisas ruins. Imagine só, aos 17 anos, tendo que lidar com um funeral! Precisei fazer um monte de ligações desagradáveis e organizar tudo. Foi horrível.


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