Desenhando música? A invenção do MIT que transformou um lápis em instrumento

Desenhando música sobre uma folha de papel, um inventor do MIT conseguiu transformar o simples ato de fazer rabiscos em uma experiência sonora inacreditável. Imagine encostar a ponta de um grafite comum na folha e, em vez de apenas ver o carvão surgir, escutar um som agudo e elétrico ressoando pelo quarto. Quanto mais espessa a linha, mais grave o tom se torna.

Desenhando música? A invenção do MIT que transformou um lápis em instrumento

Quando o criador dessa ideia resolveu encostar o lápis na própria pele e depois no papel, a mesa de trabalho virou um sintetizador humano. O clipe que capturou esse momento icônico rodou o planeta e deixou todo mundo intrigado.

Foi assim que a tendência de pessoas desenhando música tomou a internet de assalto, provando que qualquer objeto do cotidiano pode virar uma fonte inexplorada de som.

Como um circuito do MIT tornou possível sair desenhando música no papel

O dispositivo por trás desse fenômeno chama-se Drawdio, uma invenção genial desenvolvida por Jay Silver no renomado Lifelong Kindergarten Group do MIT Media Lab. A física por trás de alguém desenhando música é fascinante e surpreendentemente simples.

O circuito usa um chip oscilador bastante popular na eletrônica, o famoso 555, alimentado por uma pequena bateria de relógio. Ele gera um tom elétrico cuja frequência depende diretamente da resistência do circuito.

Como o grafite do lápis é feito de carbono, ele funciona como um condutor elétrico de alta resistência. Ao segurar o lápis preparado com uma tira de fita condutora de cobre, o próprio corpo da pessoa fecha o circuito elétrico com a folha.

Conforme a ponta desliza, a variação do traço de grafite altera a resistência elétrica. É assim que a ação de sair desenhando música muda instantaneamente o tom gerado pelo pequeno alto-falante acoplado ao lápis.

A tecnologia que transformou o próprio corpo humano em um theremin elétrico

O grande charme desse experimento não parou nos rabiscos sobre a folha. No vídeo original, a equipe do MIT levou a ideia de sair desenhando música a extremos hilários e altamente criativos.

Eles testaram a condutividade em uma tigela de ovos mexidos, em um copo de suco com canudo condutor, em uma banana e até na água corrente de uma torneira de pia. Cada elemento gerava um timbre único, alternando sons agudos estridentes e ressonâncias graves.

A cena mais memorável acontece quando duas pessoas dão as mãos e encostam no circuito. Ao dar um abraço ou tocar o rosto do colega, a corrente microelétrica passa pela pele de ambos sem causar qualquer choque, transformando o contato humano em notas musicais.

O som característico lembra muito o de um theremin, aquele clássico instrumento musical eletrônico tocado sem contato físico que embala trilhas sonoras de filmes antigos de ficção científica.

Do lápis musical ao nascimento do lendário Makey Makey

A repercussão colossal da demonstração desenhando música serviu como trampolim para algo ainda maior no ecossistema maker e educacional. Jay Silver e sua equipe perceberam que haviam descoberto uma mina de ouro de engajamento pedagógico.

Poucos anos após a viralização do Drawdio, Jay se juntou a Eric Rosenbaum para criar o Makey Makey, uma placa de invenção que permite transformar praticamente qualquer objeto do mundo real em um teclado ou controle de computador.

O projeto foi lançado no Kickstarter e se tornou um dos maiores sucessos de arrecadação da plataforma na época. Ele levou para salas de aula do mundo todo a experiência de tocar piano em bananas, jogar Mario usando massinha de modelar e criar instalações artísticas interativas.

Hoje em dia, o conceito de passar horas desenhando música para ensinar física, programação e circuitos eletrônicos usando arte é um padrão global na educação STEM. Tudo isso começou com um protótipo gambiarra colado a um lápis de grafite.

Da próxima vez que você pegar um lápis para fazer um rabisco despretensioso em uma reunião chata, lembre-se: você pode estar segurando o próximo instrumento musical da sua vida.

Você teria coragem de testar essa engenhoca em uma banana ou prefere continuar usando o lápis só para escrever mesmo?

Redação Tediado é a equipe editorial responsável pelos conteúdos do Tediado, site brasileiro no ar desde 2011, focado em humor, curiosidades, listas criativas e entretenimento digital.

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