Estou com depressão, mas meus pais não acreditam em mim


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Essa é a Amy, e ela tem depressão. Até pouco tempo atrás, nem os pais dela acreditavam nela.

Desde que se tornou uma adolescente, Amy sempre se sentiu um pouco… triste. Mas nos últimos anos, essa tristeza se transformou em algo maior… até recentemente, ela não entendia o que era isso. Na maioria das vezes, ela se sentia exausta e infeliz. Até mesmo sair da cama era difícil.

Um dia ela se deu conta de que estava com depressão. No começo ela não queria acreditar, pois hoje em dia todo mundo diz que está com depressão. Mas não dava mais para fugir da realidade. Então, ela tentou explicar isso para seus pais.

As reações deles fizeram ela se sentir pior, pois ela não podia nem falar sobre aquilo com seus pais. Ela tinha amigos, mas eles já não queriam mais ouvi-la. E ela não os culpava – até mesmo ela achava chato falar sobre sua depressão o tempo todo.

Ela deu uma olhada em fóruns na internet sobre depressão e as pessoas a aconselharam a procurar um psiquiatra. Amy pediu a seus pais por diversas vezes que a levassem a um psiquiatra, explicando a importância que aquilo tinha para ela, e eles acabaram concordando, embora não quisessem.

Ela sentiu um fio de esperança pela primeira vez em muito tempo. Então, ela foi ao médico com seus pais. Ele era um homem mais velho, e era muito estranho – ele nem olhou para ela, e demonstrou total desinteresse no que ela tinha a dizer. Ela explicou a situação, mas ele continuou fazendo as mesmas perguntas sobre a escola e sobre estresse, e no final, disse que Amy só estava cansada da escola e que precisava de um pouco de descanso.

Amy ficou chocada, mas seus pais ficaram felizes com esse diagnóstico. Eles se esforçaram para fazê-la se sentir melhor – eles a deixaram faltar alguns dias de aula e ter um pouco de diversão. O problema é que ela não queria se divertir. Ela não queria fazer nada além de ficar na cama, chorando.

Depois que ela voltou para a escola, as coisas pioraram ainda mais. Os professores estavam com raiva dela por ela não ter feito o dever de casa e por não estar prestando atenção na aula, mas ela não respondia, então eles pararam de pegar no pé dela. O mesmo aconteceu com os colegas de turma – eles não prestavam atenção na Amy, pois ela sempre sentava sozinha, ficava olhando pela janela, lendo um livro ou qualquer outra coisa.

À essa altura, ela começou a acreditar que seus pais tinham razão, e que ela tinha simplesmente que ser grata por tudo o que tinha, então ela tentou conversar com as pessoas e estudar um pouco mais. Mas Amy simplesmente não tinha forças para fazer isso.

Um dia, o pai dela ficou bravo por ela ser ingrata e malcriada, e disse “Você não quer conversar com a gente, você não quer estudar! Me diz, O QUE é que você quer!?”

Ela ficou olhando para ele, sem saber o que dizer, pois na verdade não queria nada. Ele continuou falando, e Amy já não aguentava mais, então começou a chorar compulsivamente. Ela nunca havia chorado daquele jeito, era sempre um choro silencioso no quarto, mas desta vez era como se ela tivesse tido um colapso nervoso.

Entre lágrimas, ela disse muita coisa, tipo: “Eu sou uma inútil, eu nem me considero uma pessoa, eu não sei fazer nada e nunca vou conseguir melhorar!” Isso foi só uma parte das coisas que estavam na cabeça dela, e a maioria delas era ainda pior.

Os pais dela ficaram em estado de choque, pois antes Amy era quieta e calma, e essa era a primeira vez que eles ouviam o que ela sentia de verdade. Depois de diversos dias, a mãe dela entrou no quarto e disse “Eu conversei com seu pai, e nós queremos acreditar em você. O que podemos fazer para te ajudar?” Para a Amy, essa foi a primeira vez em muito tempo que ela sentiu que alguma coisa boa tinha acontecido com ela. Aí ela perguntou a eles se poderiam marcar uma consulta com outro psiquiatra dessa vez. E eles concordaram.

O novo psiquiatra era mais jovem, a ouviu com atenção, fazendo um monte de perguntas, e realmente escutando o que ela respondia. Amy contou tudo o que sentia para ele, e foi muito confortante finalmente encontrar alguém disposto a ouvi-la.

Aí, ele fez um monte de testes com ela e depois de um tempo a diagnosticou com depressão crônica. Os pais dela se recusaram a acreditar no começo, mas ela viu o quanto eles estavam preocupados, e aquilo fez ela se sentir melhor.

Depressão


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