Se você pudesse apagar uma coisa irritante da vida moderna, qual escolheria?

Você já imaginou como seria acordar amanhã e descobrir que uma coisa irritante da vida moderna simplesmente deixou de existir? Nada de escolher uma superpotência, ganhar na loteria ou viajar no tempo. A proposta é bem mais simples: eliminar para sempre aquele pequeno detalhe que parece inofensivo, mas consegue acabar com a paciência de qualquer pessoa.

A vida moderna trouxe uma quantidade absurda de facilidades. Hoje podemos pedir comida sem levantar do sofá, conversar com alguém do outro lado do mundo em segundos, pagar uma conta pelo celular e descobrir praticamente qualquer informação com algumas pesquisas. O problema é que, junto com toda essa praticidade, vieram novas formas de irritação que nossos avós provavelmente nem conseguiriam imaginar.

Algumas são tão comuns que já fazem parte da rotina. Você nem percebe mais o quanto incomodam até imaginar como seria viver sem elas. Outras são pequenas armadilhas criadas pela própria tecnologia: notificações que aparecem quando não deveriam, aplicativos que pedem atualizações justamente quando você está com pressa, senhas impossíveis de lembrar e aquele famoso “só mais um minutinho” que nunca significa realmente um minuto.

E existe uma pergunta interessante escondida nisso tudo: qual seria a primeira coisa irritante da vida moderna que você apagaria se tivesse esse poder?

Talvez a sua escolha apareça entre estas opções. E algumas delas provavelmente vão fazer você pensar: “como ninguém resolveu isso ainda?”

Se você pudesse apagar uma coisa irritante da vida moderna, qual escolheria?

1. Ligações de números desconhecidos

Poucas coisas representam tão bem a vida moderna quanto o celular tocando justamente quando você está ocupado. Você olha para a tela e aparece um número que nunca viu na vida.

A primeira reação é pensar que pode ser algo importante. Talvez seja uma entrega, um familiar usando outro telefone ou alguém tentando falar sobre alguma emergência. Você atende.

“Alô?”

Silêncio.

Depois de alguns segundos, uma voz automática pergunta se você é determinada pessoa, oferece um plano de internet ou tenta vender alguma coisa que você definitivamente não pediu.

O pior é que, depois de algumas experiências assim, você passa a desconfiar até de ligações legítimas. O telefone toca, você olha para o número e pensa: “se for importante, manda mensagem”.

É uma pequena coisa, mas mudou completamente nossa relação com chamadas telefônicas. O telefone foi inventado para aproximar as pessoas; atualmente, muitas vezes ele serve para nos lembrar de ignorar chamadas.

2. Senhas para absolutamente tudo

Antigamente você precisava lembrar algumas coisas importantes. Hoje parece que precisa decorar a identidade digital inteira.

Senha do e-mail. Senha do banco. Senha do streaming. Senha do trabalho. Senha daquele aplicativo que você usou uma vez há oito meses. Senha do Wi-Fi. Senha para entrar no aplicativo que vai mostrar outra senha.

E, naturalmente, nenhuma pode ser igual.

“Use pelo menos oito caracteres, uma letra maiúscula, uma minúscula, um número e um símbolo.”

Você cria uma senha seguindo todas as regras e, três meses depois, esquece completamente o que colocou.

Então começa o ritual: clicar em “esqueci minha senha”, receber um código, criar outra senha, confirmar a senha, abrir o e-mail, voltar para o aplicativo e finalmente descobrir que a senha que você acabou de criar já foi utilizada anteriormente.

Se fosse possível apagar uma coisa irritante da vida moderna, acabar com a necessidade de lembrar dezenas de senhas certamente entraria na disputa.

3. Aplicativos pedindo atualização na pior hora possível

Nada contra atualizações. Elas são necessárias, corrigem problemas e melhoram os aplicativos. O problema é o momento escolhido para lembrar que elas existem.

Você está atrasado, precisa abrir alguma coisa rapidamente e o aplicativo decide que aquela é uma excelente oportunidade para apresentar uma atualização de 1,8 GB.

“Atualizar agora ou depois?”

Você escolhe depois.

Dois segundos mais tarde:

“Uma nova versão está disponível.”

Obrigado, aplicativo. Eu percebi.

E existe uma versão ainda mais cruel: quando você precisa desesperadamente de determinado aplicativo e ele simplesmente não abre porque “é necessário atualizar para continuar”.

A tecnologia foi criada para economizar tempo. Às vezes ela encontra maneiras criativas de gastar o seu.

4. Sites que perguntam se você aceita cookies

Você entra em um site para descobrir uma informação simples e, antes mesmo de conseguir ler o título da página, aparece uma janela perguntando sobre cookies.

“Este site utiliza cookies.”

Você já sabe.

“Gerenciar preferências.”

Você não quer gerenciar preferências.

“Rejeitar todos.”

Às vezes essa opção está escondida como se você estivesse tentando cancelar um contrato de financiamento.

O mais curioso é que, depois de anos aceitando, rejeitando ou configurando cookies, muita gente simplesmente clica no primeiro botão disponível para conseguir ler o conteúdo.

É uma daquelas pequenas burocracias digitais que aparecem tantas vezes que já parecem parte da decoração da internet.

5. Pessoas que param no meio da calçada

A humanidade desenvolveu carros, aviões, internet de alta velocidade e inteligência artificial. Ainda assim, aparentemente não conseguimos resolver o problema de duas pessoas pararem exatamente no meio da calçada para conversar.

Você vem andando normalmente.

Na sua frente existe espaço suficiente para passar.

Então, de repente, duas pessoas formam uma barreira humana e começam uma conversa que aparentemente precisa acontecer naquele exato ponto do planeta.

Você reduz a velocidade.

Elas continuam conversando.

Você tenta passar por um lado.

Uma delas se move justamente para o mesmo lado.

Você tenta pelo outro.

A pessoa também vai para lá.

Nesse momento, vocês estão praticamente participando de uma dança improvisada sem música.

E quando finalmente consegue passar, percebe que poderia ter simplesmente esperado, mas agora já está emocionalmente envolvido na situação.

6. O “aceite os termos” que ninguém lê

Existe uma mentira coletiva na internet: nós lemos os termos de uso.

Ninguém lê.

Você clica em “Li e concordo” com a mesma confiança de alguém assinando um documento de 48 páginas sem abrir a primeira.

O problema é que os termos parecem escritos para garantir que absolutamente tudo esteja protegido, exceto a sua sanidade mental.

Se você tentasse realmente ler cada documento antes de aceitar, provavelmente passaria o resto da vida fazendo isso.

E o mais engraçado é que muitos serviços transformaram esse processo em uma espécie de ritual automático. Você abre um aplicativo, vê a tela de termos, procura o botão de aceitar e segue a vida.

Talvez uma das grandes invenções da vida moderna fosse simplesmente um botão escrito: “não coloquei minha vida em risco, pode continuar”.

7. Entregas que chegam quando você acabou de sair

Existe uma lei não escrita da logística moderna: a entrega sempre tenta chegar exatamente cinco minutos depois que você saiu de casa.

Você recebe a notificação:

“Seu pedido está chegando.”

Você pensa: “perfeito”.

Desce, espera, olha pela janela.

Nada.

Passam dez minutos.

Você entra no banho.

O interfone toca.

É o entregador.

Você sai correndo pela casa como se estivesse participando de uma prova olímpica de velocidade doméstica, tentando colocar uma roupa antes que ele vá embora.

Quando finalmente chega à porta, existe uma boa chance de a pessoa já estar entrando no elevador.

A tecnologia consegue mostrar onde está o pedido em tempo real, mas ainda não conseguiu resolver o mistério de fazer ele chegar exatamente quando você está disponível.

8. “Só mais uma coisa” depois que você já estava indo embora

Essa é uma das grandes armadilhas da vida adulta.

Você já resolveu tudo. Está levantando da cadeira, colocando a mochila nas costas, pensando no que vai fazer depois.

Então alguém diz:

“Ah, só mais uma coisa…”

Não existe “só mais uma coisa”.

Essa frase pode significar cinco minutos, quarenta minutos ou o início de uma reunião completamente nova.

O mesmo acontece quando você está saindo de casa.

“Já estou indo.”

Aí alguém lembra que precisa perguntar alguma coisa.

Você responde.

Surge outra pergunta.

Você responde novamente.

Quando percebe, está parado na porta há quinze minutos, segurando a chave na mão e reconsiderando todas as decisões que levaram até aquele momento.

Se fosse possível apagar uma coisa irritante da vida moderna, talvez valesse a pena criar um botão específico para bloquear essa frase.

9. Notificações que não significam absolutamente nada

Seu celular vibra.

Você pega.

Abre a tela.

“Seu aplicativo está esperando por você.”

Não há mensagem.

Nenhuma novidade.

Nenhuma emergência.

Apenas o aplicativo lembrando que existe.

É curioso como os celulares ficaram cada vez mais inteligentes enquanto suas notificações ficaram cada vez mais desesperadas por atenção.

Uma pessoa pode estar trabalhando, estudando, dirigindo ou simplesmente tentando descansar, e o telefone decide que precisa interromper aquele momento para informar alguma coisa que poderia facilmente esperar até amanhã.

Depois de um tempo, a solução parece óbvia: silenciar tudo.

Mas aí surge outro problema.

Você começa a imaginar que talvez tenha perdido alguma coisa importante.

E pronto. O celular venceu novamente.

10. A fila que anda mais rápido justamente quando você troca de fila

Essa talvez seja uma das leis universais da humanidade.

Você escolhe uma fila.

Ela está andando devagar.

Ao lado, outra fila parece muito mais rápida.

Você observa durante alguns minutos e conclui que tomou a decisão errada.

Troca de fila.

Cinco segundos depois, a sua antiga fila começa a andar.

A nova para.

Você olha para frente.

Olha para trás.

A pessoa que ficou na fila anterior passa pelo caixa antes de você.

Não existe matemática capaz de explicar esse fenômeno.

Mercados, bancos, aeroportos e até filas virtuais parecem possuir uma inteligência própria quando percebem que você está tentando escolher a opção mais rápida.

Talvez não seja azar. Talvez as filas simplesmente saibam.

11. Vídeos que começam a tocar sozinhos

Você abre uma página tranquilamente.

De repente:

“Olá, pessoal!”

Você toma um susto.

Não sabe de onde veio o som.

Começa a procurar a aba responsável enquanto o vídeo continua tocando.

Abre uma aba.

Nada.

Outra.

Nada.

Mais uma.

Finalmente encontra.

E o volume está em 100%.

É uma das experiências mais estranhas da internet moderna: você não pediu vídeo nenhum, mas precisa fazer uma investigação digital para descobrir quem decidiu tocar alguma coisa no seu computador.

Hoje muitos sites já reduziram bastante esse problema, mas a lembrança permanece.

E quem já passou por isso provavelmente desenvolveu um reflexo automático de procurar o botão de pausa antes mesmo de terminar de carregar a página.

12. Pessoas que mandam “oi” e desaparecem

“Oi.”

Você responde:

“Oi! Tudo bem?”

Silêncio.

Nada.

A pessoa simplesmente desaparece.

Você espera.

Uma hora passa.

Duas.

Um dia.

Talvez dois.

Então, quando você finalmente esqueceu completamente da conversa, chega:

“Então…”

Como se nada tivesse acontecido.

É uma das pequenas peculiaridades da comunicação moderna. Antigamente, se alguém telefonasse e você atendesse, a conversa acontecia. Hoje podemos mandar uma mensagem com uma única palavra e deixar o outro indivíduo em estado de espera indefinida.

E o mais curioso é que todos já fizeram isso alguma vez.

Talvez seja por isso que ninguém consegue reclamar muito.

13. O aviso de bateria fraca quando você mais precisa

Você olha para o celular e vê 5% de bateria.

Tudo bem.

Ainda dá para usar.

Você abre uma conversa, responde algumas mensagens e continua normalmente.

4%.

Ainda tranquilo.

3%.

Começa a preocupação.

2%.

Agora cada segundo importa.

1%.

O celular parece estar fazendo uma contagem regressiva para sua morte digital.

E justamente quando você precisa dele para alguma coisa importante, não existe tomada por perto.

A bateria moderna consegue durar horas, mas aparentemente escolhe os momentos mais inconvenientes para lembrar que ela também tem limites.

14. A burocracia que poderia ser resolvida em dois minutos

Talvez essa seja uma das maiores candidatas ao prêmio de coisa irritante da vida moderna.

Você precisa resolver algo extremamente simples.

Só precisa confirmar uma informação.

Mas para fazer isso, precisa preencher um formulário.

O formulário pede outro documento.

O documento exige uma senha.

A senha precisa ser recuperada.

Depois aparece um código enviado por SMS.

Você digita o código.

O site pede para confirmar novamente.

No final, a tarefa que deveria levar dois minutos consumiu meia hora.

E ainda existe a possibilidade de aparecer a mensagem:

“Não foi possível concluir sua solicitação. Tente novamente mais tarde.”

Nesse momento, não existe tecnologia suficiente para impedir que você olhe para a tela e pergunte, em silêncio, por que sua vida chegou àquele ponto.

15. O barulho que alguém faz quando você finalmente conseguiu dormir

Essa é clássica e não depende de internet, aplicativos ou tecnologia.

Você passou o dia inteiro cansado.

Chega em casa, toma banho, deita e finalmente consegue pegar no sono.

Então alguém decide fazer alguma coisa.

Arrasta uma cadeira.

Fecha uma porta.

Derruba alguma coisa.

Começa a conversar.

O cachorro resolve correr pela casa.

Um carro passa na rua com o som alto.

Um vizinho decide que aquele é o melhor momento para reorganizar a casa inteira.

Você abre os olhos.

Olha para o relógio.

Ainda é madrugada.

Nesse momento, você percebe que existe uma coisa irritante da vida moderna que nenhuma atualização de sistema vai resolver: o mundo continua funcionando justamente quando você gostaria que ele ficasse em silêncio.

Afinal, qual coisa irritante você apagaria?

Talvez a parte mais divertida dessa pergunta seja perceber que não precisamos eliminar grandes problemas para melhorar bastante a vida. Às vezes, basta retirar aquelas pequenas situações que se repetem diariamente e vão acumulando uma quantidade absurda de irritação.

Algumas pessoas provavelmente escolheriam acabar com spam. Outras eliminariam filas, burocracia, notificações ou ligações desconhecidas. Tem quem queira banir para sempre a frase “precisamos conversar” enviada sem nenhuma explicação.

E provavelmente existe aquela coisa irritante da vida moderna que não apareceu nesta lista, mas que imediatamente veio à sua cabeça assim que você começou a ler.

Essa talvez seja a verdadeira pergunta.

Se você tivesse um botão capaz de apagar apenas uma coisa irritante da vida moderna para sempre, qual seria a sua escolha?

Porque, pensando bem, talvez a humanidade não precise de uma grande invenção revolucionária.

Talvez a gente só queira um botão escrito:

“Chega disso.”

Redação Tediado é a equipe editorial responsável pelos conteúdos do Tediado, site brasileiro no ar desde 2011, focado em humor, curiosidades, listas criativas e entretenimento digital.


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